6.4.10

ADELIA PRADO e o poema Casamento

Uma vez, lendo uma entrevista concedida por Nina Horta, jornalista da Folha de São Paulo, ela dizia que os livros relacionados a cozinha que mais apreciava eram os de Proust, Pedro Nava, Manuel Bandeira, Carlos Drummond, e principalmente os de Adelia Prado.
Como estava em busca de poemas que me remetessem ao universo da cozinha e da essência da comida como elo agregador de pessoas logo corri à Livraria da Vila. Abri o livro Terra de Santa Cruz, de Adelia Prado e vi na minha frente a beleza do poema "Casamento".
Chamei a Sílvia para colocar esta poesia em uma das paginas do site; aquela que coloco as nossas novidades na cozinha. Foi juntar com o desenho da minha amiga e artista Bettina Vaz Guimarães; duas conchas de sorvete enamoradas e estava resolvida a arte daquela página.

Hoje, 06 de abril comemoro muitos anos de casada.
Sou feliz de ter construído um lar, de ter uma família e poder aprender com cada um e a cada dia a arte de amar e de dividir.
Neste momento divido com vocês a beleza desta singela poesia de Adelia Prado.


























Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Texto extraído do livro "Adélia Prado - Terra de Santa Cruz", Ed. Record - São Paulo, 2006, pág. 25.

  • foto Getty Images

5 comentários:

carmen disse...

Parabens pelos anos de casada!! e pela escolha do poema lindo da Adelia Prado para dividir seu momento aqui conosco. Seja sempre feliz!!!! BJKS

Priscilla disse...

parabéns pelo aniversário! Entro sempre que posso, ou quando o André me lembra! Bjo
Pri Okubo, amiga do André

tutu galvao bueno disse...

Carmen, este poema é muito especial.Estou numa fase de poesias. Parece que cada vez que leio uma delas tenho uma interpretação diferente; um novo sentido. Bj
Pri, continue entrando no blog e escrevendo, é um estimulo para mim quando vejo comentários.Adorei. Bjs

sylribeiro disse...

parabens pelos muitos anos de casamento, tutu, que linda postagem, tudo a ver com voce, beijos!

tutu galvao bueno disse...

Thanks Sylvia. Meu marido acabou de ler o post com atraso e ficou emocionado. Obrigado pela sensibilidade de compreender a beleza desse poema e colocar no site

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